Métricas CMJ para monitorar fadiga: altura, RSI ou tempo de contato

Atualizado no dia 26 de Junho de 2026 por Adrián Escobar Morales

Para monitorar a fadiga neuromuscular com o CMJ, a altura do salto é a variável mais prática e confiável no dia a dia, enquanto o RSI é o mais sensível para detectar alterações agudas na função do ciclo alongamento-encurtamento. O tempo de contato e o tempo de voo fornecem informações complementares que permitem distinguir se a origem da fadiga é neuromuscular ou mecânica. Usar apenas uma variável é insuficiente – combinar duas ou três métricas oferece uma imagem muito mais completa do verdadeiro estado do atleta.

O que a ciência diz – resumo executivo

  • O altura do salto Possui CV intradiário de 5,3-5,6% e é a variável mais utilizada para monitoramento de rotina.
  • Ele RSI modificado é mais sensível a mudanças agudas na fadiga do que apenas a altura – detecta mudanças que a altura não detecta
  • Ele tempo de contato aumenta com a fadiga antes que a altitude caia – um indicador precoce
  • Ele tempo de voo está diretamente relacionado à altura e é mais estável que o tempo de contato
  • Uma queda de 3-5% na altura do salto em relação à referência individual é o limite prático para detectar fadiga significativa

O CMJ (salto com contramovimento) é a ferramenta de monitoramento neuromuscular mais utilizada em esportes de alto rendimento. Rápido, não invasivo e altamente reprodutível, permite avaliar a condição do atleta antes ou depois de uma sessão sem adicionar carga adicional. Mas o CMJ não fornece um número único – fornece várias métricas simultâneas, cada uma com informações diferentes.

A pergunta que todo preparador acaba se fazendo é esta: Em qual deles eu me concentro? A altura do salto é suficiente? Eu preciso do RSI? O que o tempo de contato me diz que a altura não? As evidências científicas têm respostas concretas para cada uma dessas questões.

Por que nem todas as métricas do CMJ são iguais para detectar fadiga

Cada variável do CMJ reflete um aspecto diferente da função neuromuscular. Entender o que cada um mede é o primeiro passo para interpretar corretamente os dados do atleta:

  • altura do salto: reflete a capacidade total de produzir força na parte inferior do corpo. É o resultado final do movimento – a integração de tudo o que ocorre nas fases excêntrica e concêntrica.
  • Tempo de voo: matematicamente relacionado à altura do salto. Mede o tempo que o atleta permanece no ar, o que reflete diretamente a força aplicada na decolagem.
  • Tempo de contato: Nos saltos reativos, meça quanto tempo o pé fica em contato com o solo entre as repetições. Reflete a rigidez do sistema músculo-tendão e a eficiência da transição excêntrico-concêntrica.
  • RSI (Índice de Força Reativa): quociente entre a altura do salto e o tempo de contato. Integra as duas variáveis ​​anteriores em um único índice que reflete a eficiência do ciclo estiramento-encurtamento (SSC).

A fadiga não afeta todas essas variáveis ​​da mesma forma ou ao mesmo tempo. É precisamente isso que os torna complementares.

Altura do salto: a variável mais prática para monitoramento de rotina

A altura do salto do CMJ tem um coeficiente de variação intradiário (CV) de 5,3% de acordo com Gathercole et al., e 5,6% de acordo com estudos mais recentes — o que a torna uma variável suficientemente confiável para detectar mudanças reais com um protocolo padronizado de 3-5 saltos.

Sua principal vantagem é a facilidade de interpretação: Qualquer treinador entende imediatamente que se um atleta saltar 5 cm a menos que sua referência, algo mudou. Isto torna-a a métrica ideal para monitorização de rotina, especialmente quando o tempo é limitado ou o formador está a trabalhar com grupos grandes.

Sua limitação é que Não é muito sensível a pequenas mudanças ou em fases iniciais de fadiga. A altura do salto pode permanecer estável mesmo quando o atleta já está acumulando fadiga — simplesmente porque compensa com uma estratégia de movimento diferente: mais tempo de contramovimento, mais flexão de joelho, tempo diferente entre as fases. É aí que entram as outras métricas.

Limiar de fadiga prático com altura de salto

A referência mais utilizada na prática é uma queda no 3-5% em comparação com a média de referência individual do atleta. Abaixo desse limite, a variação pode ser ruído de medição. Acima, é provável que reflita uma mudança real no estado neuromuscular.

Tempo de vôo: o espelho da altura

O tempo de voo e a altura do salto estão matematicamente relacionados (h = g × t²/8), portanto fornecem informações muito semelhantes. Sua vantagem é que alguns dispositivos — como o ADR Jumping — calculam-no diretamente a partir das células infravermelhas, sem a necessidade de plataforma de força.

Para o monitoramento da fadiga, o tempo de voo segue a mesma tendência da altura: cai quando a fadiga é significativa, é estável em condições normais e responde proporcionalmente à carga acumulada. É uma variável útil para confirmar o que a altura indica e ter uma segunda referência sem custo adicional de medição.

Tempo de contato: o indicador precoce de fadiga

Esta é a variável mais subvalorizada do CMJ e possivelmente a mais interessante para detecção precoce da fadiga. A razão é um mecanismo fisiológico bem documentado: Quando o sistema neuromuscular se cansa, a rigidez músculo-tendínea diminui e o tempo de contato aumenta – antes que a altura do salto comece a diminuir.

Em outras palavras: o tempo de contato é um indicador importante. Se você observar que o tempo de contato de um atleta aumenta consistentemente em relação à linha de base, é provável que a fadiga já esteja presente, mesmo que a altura ainda seja mantida. Agir neste momento – reduzindo a carga ou adicionando recuperação – pode evitar uma queda subsequente no desempenho.

Sua limitação é ser mais variável que a altura e mais sensível a mudanças na técnica. Por isso é sempre aconselhável interpretá-lo contextualmente, principalmente se o atleta mudou recentemente o protocolo de testes ou apresenta lesões que afetam o padrão de movimento.

RSI: a métrica mais completa para avaliar CEA

O RSI (altura/tempo de contato) integra as duas variáveis ​​anteriores em um único índice que reflete a eficiência do ciclo de alongamento-encurtamento (SSC) — a capacidade de absorver energia na fase excêntrica e liberá-la rapidamente na fase concêntrica.

A evidência mostra que o RSI modificado é mais sensível a mudanças agudas na fadiga do que apenas a altura. Isso ocorre porque quando o atleta se cansa, ele tende a aumentar o tempo de contato para compensar a perda de força – fazendo com que o RSI caia mesmo quando a altura permanece relativamente estável. O RSI captura a deterioração que a altura ignora.

Um estudo de Gathercole et al. (2015) no Jornal Internacional de Fisiologia e Desempenho Esportivo mostraram que as variáveis ​​do CMJ relacionadas à fase excêntrica – incluindo o RSI – foram mais sensíveis à fadiga induzida pelo treinamento intenso do que apenas a altura do salto, com tamanhos de efeito maiores e detecção mais precoce de alterações.

Para monitoramento de fadiga com RSI, o protocolo recomendado é o salto repetido (5-10 saltos consecutivos) em vez do CMJ padrão, porque maximiza a demanda no CEA e torna o RSI mais informativo. Com o CMJ padrão, o RSI também é útil, mas menos discriminativo.

Como combinar métricas na prática

As evidências não apontam para uma única métrica vencedora — apontam para a utilização de combinações dependendo do objetivo de monitorização:

Mirar Métrica Primária Métrica Suplementar
Monitoramento de rotina diária altura do salto Tempo de voo
Detecção precoce de fadiga Tempo de contato RSI
Avaliação CEA e pliometria RSI Tempo de contato
Comparação entre atletas ou sessões altura do salto RSI
Avaliação pós-jogo ou pós-competição Altura do salto + RSI Tempo de contato

O protocolo mais eficiente: 3 saltos, 2 métricas

Para a maioria dos contextos práticos — especialmente esportes coletivos com tempo limitado — o protocolo mais eficiente é:

  1. 3-5 CMJ padrão com as mãos nos quadris, intenção máxima em cada salto
  2. Registre o altura média do salto das 3 melhores tentativas
  3. Registre o tempo médio de contato se o dispositivo fornecer isso
  4. Compare ambos com a referência individual do atleta (média das últimas 4-6 semanas)
  5. Se a altura cair mais de 3-5% OU o tempo de contato aumentar mais de 5-8%: sinal de fadiga

Com este protocolo você tem informações suficientes para tomar decisões de carga em menos de 3 minutos por atleta — sem a necessidade de plataforma de força ou análises complexas.

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Conclusão

Não existe uma métrica única do CMJ que seja suficiente para monitorar de forma abrangente a fadiga. A altura do salto é a mais prática e confiável para uso rotineiro, mas o tempo de contato detecta a fadiga mais cedo e o RSI é o indicador mais sensível da função do CEA.

A estratégia mais inteligente é começar com a altura do salto como referência primária — pela sua simplicidade e facilidade de interpretação — e incorporar o tempo de contato e o RSI quando o objetivo é detectar precocemente a fadiga ou avaliar a qualidade do CEA em contextos de treinamento pliométrico ou de alto impacto.

Perguntas frequentes

Qual variável do CMJ é melhor para detectar fadiga?

Depende do tipo de fadiga e do momento de detecção. Para monitorização de rotina, a altura do salto é suficiente com um limite de queda de 3-5% em relação à referência individual. Para detecção precoce de fadiga, o tempo de contato é mais sensível porque aumenta antes da queda de altura. O RSI é o indicador mais completo porque combina altura e tempo de contato em um único valor que reflete a eficiência do ciclo de estiramento-encurtamento.

Quanto deve cair a altura do CMJ para ser considerado fadiga?

A referência mais utilizada na prática é uma queda de 3 a 5% em relação à média de referência individual do atleta. Abaixo desse limite, a variação pode ser ruído de medição. Acima, é provável que reflita uma mudança real no estado neuromuscular que justifica o ajuste da carga de treinamento.

O que é RSI e como ele é usado para monitorar a fadiga?

O RSI (Índice de Força Reativa) é a relação entre a altura do salto e o tempo de contato. Reflete a eficiência do ciclo de alongamento-encurtamento – a capacidade de absorver energia na fase excêntrica e liberá-la rapidamente na fase concêntrica. Para o monitoramento da fadiga, o RSI é mais sensível do que apenas a altura porque captura o aumento no tempo de contato que ocorre à medida que o atleta se cansa, mesmo quando a altura permanece relativamente estável.

Quantos saltos são necessários para monitorar a fadiga com o CMJ?

Com 3-5 CMJ padronizados é suficiente para obter dados confiáveis. Recomenda-se utilizar a média das 3 melhores tentativas para reduzir a variabilidade. Todo o protocolo – incluindo a comparação com a referência individual – pode ser concluído em menos de 3 minutos por atleta.

Qual dispositivo usar para medir as métricas do CMJ?

O ADR Jumping mede a altura do salto, o tempo de voo, o tempo de contato e o RSI em cada salto em tempo real. Funciona com o aplicativo gratuito ADR System, não requer plataforma de força e armazena o histórico completo de cada atleta na nuvem para comparar as sessões ao longo do tempo.

Literatura

  1. Gathercole, R.J. et al. (2015). Countermovement jump performance with increased training loads in elite male rugby league players. International Journal of Sports Physiology and Performance, 10(6), 703–710. Veja estudo →
  2. Watkins, C.M. et al. (2017). Determination of vertical jump as a measure of neuromuscular readiness and fatigue. Journal of Strength and Conditioning Research, 31(12), 3305–3310. Veja no PubMed →
  3. Claudino, J.G. et al. (2017). Countermovement jump as a means of monitoring neuromuscular status in elite soccer players. International Journal of Sports Physiology and Performance, 12(S2), S2–34. Veja estudo →
  4. Lonergan, B. et al. (2025). Inter-day reliability of countermovement jump metrics in elite academy soccer players. International Journal of Strength and Conditioning. Veja estudo →
  5. Flanagan, E.P. & Comyns, T.M. (2008). The use of contact time and the reactive strength index to optimize fast stretch-shortening cycle training. Strength and Conditioning Journal, 30(5), 32–38. Veja estudo →
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